Jeffrey Epstein - o símbolo da desumanidade
Jeffrey Epstein, o monumental financista que teria começado a vida como um professor de matemática e física sem formação, se tornou um dos grandes criminosos sexuais com um currículo repleto de ações hediondas e amorais.
Indo contra qualquer tipo de categoria de humanidade, Jeffrey Epstein voltou aos palcos midiáticos com força total, revelando que os escândalos de Hollywood são como discos viciados, sempre voltam a um mesmo ponto para repetir o que já foi escutado e vocês sabem o que dizem “o bom filho à casa torna”.
Sempre caindo nas graças do conglomerado alienado, no qual podemos chamar de sociedade, Epstein subiu na vida por ter vivido na “simplicidade” e carregado a “coroa do carisma”.
Segundo as “más línguas”, mesmo sem formação pedagógica ele dava aulas particulares no prestigiado colégio particular Dalton School, localizado no Upper East Side de Manhattan, em New York. Com o tempo, o talento de Jeffrey acabou conquistando a atenção dos pais de seus alunos, e como uma coisa sempre leva a outra, um desses pais o recomendou para um dos grandes sócios do banco de investimentos Bear Stearn, localizado no renomado bairro Wall Street em NY.
A partir daí as coisas mudaram tragicamente em benefício de Epstein. Em cerca de 4 anos – próximo aos anos de 1980 e 1990 – ele teria alcançado cargos importantes no respectivo banco e conquistado a confiança e amizade de inúmeros empresários e celebridades, que vieram a ser considerados cúmplices dos atos criminosos.
Com a sua base de networking acima da média, Jeffrey fundou seu próprio império, que passou a lucrar milhões ainda no seu primeiro ano de funcionamento. Sua fortuna passou a se “auto-produzir” e sua fama corria pelas ruas estadunidenses como a água da chuva escorre pelo esgoto.
Certamente seus dias projetavam a vida que o “mundo” mais deseja: jatos, ilhas, mansões, vida estável, relacionamentos estáveis, amizades duradouras... mas a imagem engana seu telespectador. Sempre há uma distorção do que realmente seja a realidade, e com ousadia afirmo que essa é a definição do que foi o caso Epstein.
Os bens materiais e a longevidade da sua fortuna não eram as únicas coisas que o, agora, influente financista procurava.
As massagistas
O trauma tem cheiro. Som. Lembranças.
A dor de reviver o mesmo ato, repetidamente, e ter que ver outras meninas passar pelo mesmo, certamente era torturante.
Toda a perversidade veio a público em meados de 2005, quando os segredos realmente começaram a ser desconstruídos, e a poeira que estava debaixo do tapete começou a ser levada pelo vento fazendo com que todos compreendessem a natureza asquerosa e repugnante de Jeffrey Epstein.
Uma investigação contra a vida “glamurosa’' de Epstein e seus associados foi iniciada graças às denúncias de menores de idade, que diziam terem sido abusadas após serem recrutadas como massagistas pessoais de Jeffrey. Os depoimentos revelaram que muitas das meninas precisavam de dinheiro por razões pessoais e quando – de algum modo – ficavam sabendo que um “homem rico” precisava de massagistas pessoais e iria pagar cerca de US$200 pela sessão, elas rapidamente se voluntariavam.
Confiantes sobre terem conseguido um “bico” a fim de ganharem dinheiro fácil, as meninas imaginavam que a situação, apesar de ligeiramente bizarra, só se tratava de uma massagem, né? Que mal teria?
Se nos projetarmos naquela situação, na mesma posição que aquelas garotas, o que iríamos sentir? Receio? Um combo de frio na barriga e uma respiração inconstante. Os nossos olhos certamente iriam analisar todo o perímetro diversas vezes só para garantir uma segurança.
O fato é que assim que trilhássemos os mesmos caminhos que essas meninas, chegaríamos na mansão de Palm Beach, na Flórida – onde a investigação começou – e andaríamos até um quarto escuro, sem janelas abertas, com cortinas densas, uma maca e inúmeros quadros de mulheres nuas, quebrando qualquer tipo de privacidade sensorial que imaginaríamos ter naquela situação.
O desconforto logo viria, e assim que parássemos de analisar o ambiente a nossa visão finalmente nos entregaria uma imagem clara do que nos esperaria; um homem nu e bem mais velho aguardando nossos serviços. Iríamos enfrentar exatamente o que aquelas pobres meninas enfrentaram.
Ao observar as adolescentes e crianças do meu país, percebo que todas fazem o que querem e o que entendem ser certo, mas até mesmo aquelas que estão à frente de seu tempo e agem como se fossem 20 anos mais velhas, tremeriam por saber que com Jeffrey Epstein não tinha massagem. Não tinha US$200 fáceis, porque aquele dinheiro custaria muito da dignidade, da pureza, e da sua própria alma.
Segundo os depoimentos, as garotas eram convencidas a recrutar outras meninas, e assim, o esquema de abuso sexual infantil de Jeffrey Epstein se expandia, a ponto de que seus associados também passaram a usufruir dos serviços daquelas vítimas.
A rede passou a pescar mais peixes. Os abusos não aconteciam só em Palm Beach... Por meio dos supostos concursos de beleza, dos "recrutamentos" para modelos, dos anúncios da internet, e dos demais formatos de modus operandi, o esquema alcançou patamares além do que poderia ser considerado crime.
Com a investigação, os segredos jorravam como o sangue de uma artéria ferida. Epstein tinha a ajuda de figuras importantes como de sua respectiva companheira, Ghislaine Maxwell e o Príncipe Andrew (irmão do atual rei Charles III).
Outras figuras importantes como o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, o empresário Richard Branson, diplomatas, celebridades e amigos próximos de Epstein também apareceram nos documentos sobre o caso.
O fim da linha sem um desfecho final?
Onde há fumaça, há fogo, e nesse caso as chamas permanecem.
Se eu precisasse credenciar o senhor Jeffrey Epstein, ele certamente seria o inovador do século, por ter conseguido descortinar o significado do que seja ser alguém desumano, ao agir com menos do mínimo do que se esperaria de uma pessoa.
O condenado conquistou o lugar de imprestável em sua mais pura forma, por ter ignorado os princípios básicos da humanidade e os valores de um caráter digno de respeito.
Não havia limite. As menores podiam ter apenas nove anos de idade, mas para ele, elas já tinham corpo o suficiente para aguentar a sua depravação. Elas teriam que aguentar o sistema de abusos a ponto de se tornarem incubadoras humanas e ainda sim, deveriam permanecer sorrindo.
Para ele a vida realmente precisava ser superficial, porque a verdade o condenaria.
O fato é que se Jeffrey Epstein estivesse vivo atualmente, desejaria ter permanecido com o cargo de professor de matemática e física sem formação.
Todas as fotos e documentos que foram utilizados foram disponibilizados pelo governo dos Estados Unidos ao público*




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