O Ego da Criatividade
Existem aqueles momentos, na vida, que sentimos o palpitar das batidas do coração, momentos como quando podemos ver um homem, cujo nome já o título o suficiente para sua fama, caminhar pelas ruas com sua armadura vermelha e um olhar que inicialmente era egoísta o bastante para afugentar sua fragilidade em festas e mulheres e ao mesmo tempo se satisfazer para alimentar seu ego.
Duas coisas que o ser humano possui e duas palavras correlacionadas: Ego e Vida.
O significado da palavra “vida”, é de longe o mais indefinido pelos dicionários mais conhecidos, por outro lado temos a palavra “ego” que por mais que não seja utilizada com frequência, a não ser em casos de brigas entre pessoas com laços mais fortes do que uma mera amizade, é de extrema importância.
Nós nunca diremos, diretamente, que somos egocêntricos, porque no fim das contas, ser egocêntrico, na teoria, não nos prejudica, mas sim aos outros que nos rodeiam.
É fácil assistir a repetição de narrativas históricas em que um homem rude, de aparência mediana, alto e com um senso de humor duvidoso, caminhar sobre a neblina com a postura ereta e os olhos individualistas, fixos em uma mulher, que até então não o almeja, porque o percurso que os acontecimentos tomam, podem ser manuseados com poucas palavras em um tablete de papéis impressos, chamado roteiro.
Quão fácil é descrever e roteirizar uma vida inexistente. Fácil de guiar e manipular para que o seu respectivo destino não tenha um ponto, mas sim, reticencias...
Se for colocar, na ponta do lápis, como os meus dias são, certamente uma nova novela das seis alcançaria um grande número de telespectadores nas grandes emissoras de TV.
Um dia rotineiro, está longe de ser a minha realidade...
Em um dia estou lavando a louça de casa, e no dia seguinte estou percorrendo quilômetros em trilhos, sentada em uma cadeira azul, dentro de um vagão banhado em ar-condicionado e perfumes masculinos tão fortes que minhas narinas se entorpecem apenas de lembrar.
O que posso dizer... sou uma pessoa deveras ocupada e extremamente criativa.
Como uma mulher romântica e que ama escrever caminhos possíveis para personagens fictícios, é difícil dizer quando a minha realidade parou de ser real e se tornou as palavras escritas em linhas paralelas, na página de um livro em andamento no meu programa do Word.
Romantizar os segundos em que respiro se tornou mais um hobbie, em meio a uma lista de inúmeros outros. A cada esquina que observo enquanto estou sentada em uma poltrona velha e usada, dentro de um transporte publico, se torna uma história nunca contada.
Por mais irritante que seja admitir, chego à conclusão de que de todo o meu corpo, a minha mente é a mais egocêntrica. Ela se alimenta de cenários criados para si própria, que nunca acontecerão e que de certo frustrarão possivelmente minhas expectativas, por estarem longe da minha realidade.
Quando foi que comecei a me tornar o meu pior pesadelo?
Possivelmente no início dessa crônica, quando a consciência começou a lutar contra meu ego mental, e automaticamente alertei-me que “NA TEORIA” ser egocêntrica não me prejudicaria... pelo menos não até minha mente se tornar a fonte do ego.
“Isso nunca vai acontecer” - É o que eu sempre me digo antes de me lamentar por não acontecer
Duelos com espadas, dragões, batalhas por um trono, declarações e beijos que são capazes de fazer qualquer pressão cair, se tornaram horizontes para onde tenho olhado após maratonar Senhor dos Anéis.
É um saco ter uma mente egocêntrica, mas devo dizer que é realmente uma pena eu não poder me casar com aquele tal de Legolas, como certamente fiz em minha mente, repetidamente durante alguns dias.
Charme masculino, personagem feminina que saiba por os loucos em seus devidos lugares e uma pitada de sangue são os únicos ingredientes que a minha mente precisa para preparar o prato principal e o grande alimento para o seu ego.
É um ciclo sem fim. Um cenário, personagens, um contexto, um plot-twist, e pronto, temos o alimento do meu ego metal.
Se estou reclamando? É claro que sim... como eu já disse entre as centenas de milhares de palavras escritas anteriormente, esses cenários nunca acontecerão comigo, mas se você, meu caro leitor, tentar enxergar o meu “problema” de um lado mais positivo, vai ver que todos os cenários são guardados com muito carinho em folhas que antes estavam em branco, e que agora estão repletas de ideias e rascunhos para livros, crônicas e historias antes nunca contadas, afinal de contas, ter uma mente tão criativa “na teoria” não vai me fazer mal não é mesmo?

Sua escrita esta cada dia melhor amiga, consegui me identificar de uma forma! Muito boom!!
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